Quem faz o setor?

 

O mercado imobiliário é constantemente responsabilizado pelas melhorias urbanas, ainda que esse não seja seu papel. No entanto, é inegável que o setor tenha alguma influência no desenvolvimento sustentável das cidades. Katia Oliveira, diretora de Produto e Marketing da Alphaville Urbanismo comenta sobre essa relação e a importância do envolvimento do governo.

1-De que modo as empresas do mercado imobiliário podem contribuir para a melhoria urbana ?

O crescimento imobiliário que ignora o planejamento urbano ou o empreendimento que não se relaciona com a região do entorno já deixou de ser realidade. Hoje, na hora de empreender, as empresas devem buscar um equilíbrio ao oferecer um produto que gere conforto e praticidade para os moradores e visitantes e melhorias para a cidade, principalmente para bairros e comunidades ao redor deste  empreendimento. Isto é feito por meio de parcerias com o poder público. Não se trata de uma boa ação da empresa. As ações de melhorias e desenvolvimento urbano valorizam todos os imóveis, além de garantir um crescimento sustentável do mercado em longo prazo.

2-Que tipo de iniciativa as empresas podem tomar neste sentido ?

Depende do tipo de produto. Para um loteamento, o planejamento deve envolver vias de acesso, recuperação paisagística da região e investimento em infraestrutura dos bairros vizinhos, como a construção de novas vias, asfaltamento e previsão para ciclovias. Um empreendimento imobiliário pode se integrar com o restante da cidade, e não ser uma ilha. Estas mudanças atraem novos empreendimentos para a região , que fazem suas próprias adaptações, gerando valorização e maior qualidade de vida. Em menor escala, isso também pode ser feito em empreendimentos verticais no centro da cidade, que devem evitar longos muros voltados para ruas desertas ou de grande movimento de veículos e investir em melhorias para praças públicas e espaços de convívio nos arredores.

3-Isto não é algo que depende muito mais do governo do que das empresas ?

A tendência no mercado atual é de que a iniciativa privada herde parte da responsabilidade por melhorias urbanas. Os governos passam por serias dificuldades financeiras e dependem cada vez mais das empresas para intervenções urbanísticas em prol do bem social. Estas intervenções agora são feitas por meio de privatizações de áreas ou PPPs. Cabe ao estado, neste sentido, muito mais regular como as melhorias estão sendo feitas e se elas estão realmente de acordo com as necessidades de cada região específica. A continuar este fenômeno, tenho o otimismo de pensar que as cidades brasileiras serão muito melhores num futuro próximo do que são hoje. Fonte: Fiabci hoje, nº 235.

 

Guia Você Busca – Impresso – Pág. 22.

Edição 65 – Ano 6 – 2017 – Vale do Paraíba.

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