Tamanho de moradia muda hábitos de consumo dentro e fora de casa

Viver em apartamentos compactos influencia o modo de consumir de seus moradores tanto dentro quanto fora de casa, mostra um novo estudo feito por Eduarda Gambagorte com a coordenação do professor Benjamin Rosenthal, da Escola de Administração de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP).

Segundo a pesquisa, as pessoas que se mudaram de apartamentos grandes para apartamentos menores de até 50m2 adotaram e consolidaram um novo comportamento de consumo, com uma vida mais prática e desapegada a bens de consumo – palavras como “desapego”, “praticidade”, “libertação” passaram a refletir os novos valores do grupo. Outra descoberta é que essas mudanças no consumo também se estenderam para a esfera pública.

“A soma do espaço exíguo com um estilo de vida bastante ativo e outdoor faz com que esses moradores busquem alternativas de socialização, diversão e entretenimento fora de casa. Ou seja, saem mais à procura do consumo imaterial em bares, restaurantes, cinemas, cafés, bibliotecas, faculdades e parques”, explica Rosenthal.

O estudo é importante para entender as relações de marketing com o consumo, os espaços e as dinâmicas sociais. “As pessoas tomam decisões tendo como base suas relações. Isso se aplica a um bar e a um museu, no qual a experiência se dá na relação com o espaço, mas também para objetos cotidianos como produtos de limpeza, por exemplo. A falta de espaço fez com que nossos entrevistados consumissem produtos com embalagens pequenas ou reduzissem a aquisição e o acúmulo de roupas”, relata o professor.

“Uma das conclusões é que bairros cheios de vida pedem apartamentos compactos justamente por serem uma extensão do espaço privado, e os espaços público e privado se integram a um estilo de vida comum às grandes metrópoles”, acrescenta.

Para a pesquisa, de caráter qualitativo, foram 13 entrevistados de 21 a 35 anos, residentes na cidade de São Paulo, que responderam questões sobre as relações físicas e emocionais em relação à moradia anterior; os desafios (perdas e ganhos) de se morar em um local menor; o modo novo de se fazer compras; as mudanças nas atividades do dia a dia, as compras para a nova casa, entre outros.

O tamanho dos apartamentos nas metrópoles brasileiras vem diminuindo ano a ano. Entre 2004 e 2013, antes de o setor imobiliário entrar em crise, o Secovi-SP (Sindicato da Habitação) registrou um crescimento de 400% na oferta de imóveis de 1 dormitório.

 

Informações: http://eaesp.fgv.br

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