Cuidado com as chaves

Deixar as chaves de imóveis vazios nas mãos de possíveis “clientes” é proibido, mas algumas imobiliárias agem assim e podem ser punidas. Em São Carlos, um estelionatário fazia compras pela internet com cartões clonados e mandava entregar as mercadorias em casas que estavam para alugar.

Ele ia até as imobiliárias da cidade, mostrava interesse em conhecer alguns imóveis, saía com as chaves, fazia cópia de cada uma delas e o golpe estava armado.

O endereço dessas propriedades era dado como local de entrega de celulares , perfumes importados, tênis e todo tipo de objetos que o rapaz, de 27 anos , comprava em lojas virtuais.

No dia em que os produtos seriam entregues, ele, a mulher e os dois filhos pequenos, tiravam a placa de “aluga-se” das casas e ficavam esperando a encomenda chegar. Isso para não chamar a atenção dos vizinhos nem dos carteiros. Quando a mercadoria atrasava e eles não estavam lá para receber, retiravam as compras no correio, usando identidades falsas. Isso aconteceu com imóveis de, pelo menos , duas imobiliárias de São Carlos.

Segundo  o delegado do 1º Distrito Policial, Maurício Dotta, o flagrante aconteceu após a denúncia de uma das vítimas, que foi notificada pela agência de que havia um produto em seu nome que precisava ser retirado. “Quando a vítima chegou para ver do que se tratava, foi informada de que a mercadoria já tinha sido retirada por uma mulher”.

O que o estelionatário não imaginava é que um funcionário da agência dos Correios já tinha desconfiado da ação e anotado a placa do carro. O rapaz foi flagrado com 23 chaves e várias placas de “Aluga-se”. Ele não disse quantos golpes aplicou, nem quem são as vítimas, responderá em liberdade por falsidade ideológica e estelionato, podendo pegar de 2 a 5 anos de prisão.

A advogada de uma das imobiliárias, que foi alvo do golpista, disse que é “praxe” da empresa o cliente visitar o imóvel sozinho, e que o “proprietário tem ciência de que nas locações, os interessados não são acompanhados pelos corretores. Se ele fizer questão disso, precisa assinar um documento com a solicitação”, afirmou. A empresa está no ramo imobiliário há mais de 40 anos.

A declaração dela foi veementemente contestada pelo advogado do departamento de ética e disciplina do CRECISP, Rodrigo de Maio.

 

FONTE: CRECI / SP – № 17/2016

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